domingo, 11 de dezembro de 2011


Caros Amigos, 

O professor Ildeu Morreira (Ministério de Ciência e Tecnologia) enviou ao Sr. Randal Kaynes - tataraneto de Charles Darwin - a notícia sobre o tombamento federal da Fazenda Campos Novos. Reproduzi abaixo a resposta acompanhada da tradução.  
 
Dear Ildeu -
Wonderful to hear! Warmest thanks for letting me know, and congratulations and very best wishes to all involved! Our visit was a very special day for me.
All the best -
Randal.

Caro Ildeu -
Maravilhoso ouvir! Mais sinceros agradecimentos por me deixar saber, e parabéns e melhores votos a todos os envolvidos! Nossa visita foi um dia muito especial para mim.
Tudo de melhor -
Randal.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011


Fazenda Campos Novos é tombada pelo IPHAN.

O processo de número 1.492-T-02 que foi iniciado em 2002, mas caiu em esquecimento e só foi retomado no início de 2009 com a criação do Projeto Refazendo Campos Novos, transformou-se no processo nº 01500.005719/2010-49, que trata o “tombamento federal do sítio da antiga Fazenda de Santo Inácio de Campos Novos a ser escrita nos livro do Tombo Histórico, Livro do Tombo de Belas Artes, livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.” (Texto diário oficial da união – nº224 de 23 de novembro de 2011). Com isso, após anos de luta pela preservação de um dos patrimônios mais importantes da Região da Costa do Sol e de valor inestimável para história patrimonial fluminense, finalmente a Fazenda Campos Novos passará a gozar da proteção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.  
A luta, iniciada nos primeiros anos da década de 90 quando o então prefeito José Bonifácio desapropriou a área de 184 hectares, não teve como motivação principal o pratrimônio em si, mas a contenção dos conflitos agrários (que já havia resultado no assassinato do lider sindical Sebastião Lan), a Fazenda era o símbolo da opressão, exploração do trabalhador rural e da expropriação (por meio de grilagem) das terras dos descendentes de escravos trazidos para o trabalho nas terras da fazenda.  Na ocasião, a Secretaria de Agricultura do  município foi transferida para a sede da mesma.    
No início do ano 2000 iniciou-se um projeto de transformar parte das terras da Fazenda em um aterro sanitário. A Associação de Turismo Ecológico Integrado à Arqueologia (ATEIA) por meio de seu presidente Geraldo Monteiro, reagiu ao absurdo e mobilizou a sociedade para um projeto que visava resgatar a Fazenda como símbolo histórico e cultural. Foi nesta época, graças a mobilização da ATEIA que a Fazenda foi tombada provisoriamente pelo Instituto Estadual do Patrimõnio Cultural do Rio de Janeiro – INEPAC. Nesta época foram muitos os cabofrienses que  batalharam pela preservação da Fazenda, entre eles  o então Sub-Secretário de Cultura Márcio Werneck e sua esposa  Penha Leite. No entanto, devido a falta de recursos municipais e a ausência de visão dos gestores públicos,  o esquecimento foi questão de tempo. Os anos que se seguiram a Fazenda Campos Novos passou a ser apenas o lugar onde funcionava a Secretaria de Agricultura. 
No primeiro mandato do Prefeito Marquinhos Mendes, foi nomeado para assumir a Secretaria de Agricultura o ex-vereador e militante (PT) Alfredo Barreto, este que lutara ao lado de José Bonifácio na desapropriação da Fazenda, iniciou um trabalho excepcional de aproximação entre a Fazenda e a população rural de Cabo Frio. Mas foi quando Carlos Alberto Gomes de Carvalho (Carlinhos) assumiu e SECMAA que o Projeto Refazendo Campos Novos foi criado.  Em principio criou-se um consórcio com algumas secretarias afins ( Cultura, Educação, Meio Ambiente e Turismo,  além da participação de representantes do IFF). No mesmo ano foi criado, numa parceria entre o Ministério de Ciência e Tecnologia, Departamento de Recursos Minerais e a Casa da Ciência da UFRJ, o Projeto Caminhos de Darwin, que ajudou a dar mais visibilidade a Fazenda ( Darwin se hospedou na Fazenda no séc. XIX).
Em 2009 o médico sanitarista Beto Nogueira assumiu a Secretaria de Agricultura e colocou o tombamento da Fazenda com uma das prioridades na sua gestão, colocando o historiador Jonatas Carvalho a frente do Projeto Refazendo Campos Novos. A partir daí, pessoas como o professor Ildeu Moreira do MCT e Fátima Brito da Casa da Ciência (UFRJ), assim como a geóloga Kátia Mansur da UFRJ passaram a abraçar o projeto. Por outro lado, deve-se muito aos representantes do IPHAN na região, Manoel Vieira e Ivo Barreto, este último incansável na articulação e na busca de soluções com departamentos e órgãos do Estado e União. 
Em fim o tombamento federal da Fazenda Campos Novos é uma obra coletiva, cujo resultado vem coroar a ação dos envolvidos (alguns, que devido ao curto texto não foram mencionados). Este texto é, portanto, um reconhecimento do trabalho mútuo e da preocupação de cidadãos e cidadãs com o patrimônio material e imaterial que singulariza nossa Região. Não há dúvida que foi dado um passo fundamental para a preservação deste belíssimo patrimônio, o tombamento federal, no entanto, não é garantia irrestrita da preservação, é uma etapa e deve ser celebrada com uma grande vitória, em 2012  haverá muito a se fazer, a luta  vai continuar. 

Jonatas C. de Carvalho.
Pesquisador da Fazenda Campos Novos. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011


Saiu!!!!!!! O Tombamento Federal da Fazenda Campos Novos!!!
Segue abaixo cópia do diário oficial da União. 
Em breve publicaremos mais detalhes. 
Jonatas.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Fotos originais da Fazenda Campos Novos

As fotos foram tiradas na ocasião da inauguração do Projeto Caminhos de Darwin pelo fotografo do Jornal Globo, Domingo Peixoto: O arquivo original está em:http://extra.globo.com/noticias/rio/os-caminhos-de-darwin-749948.html










terça-feira, 20 de setembro de 2011

Transcrição de história oral do Jongos, Calangos e Folia.

José Fernandes, nascido em 05 de Julho de 1946, em Campos Novos. Fala que tem recordações de coisas que não existem mais na fazenda modelo. Reconhece a falta de cuidado por parte dos fazendeiros com a fazenda. Conta que em frente À igreja de Santo Inácio havia uma obra (uma espécie de chafariz), onde tinha várias festas essas festas que aconteciam na fazenda. Este diz que seus pais e avós contavam que a igreja era em homenagem a pelo Santo Inácio.Então, todo o ano tinha uma festa importante.Ele conta que seu Tio saía com uma bandeira e ele com o tambor em toda a região do 2° distrito, anunciando a data da festa e arrecadando donativos para ajudar na festa. A festa durava três dias.
S. José responde que era no meio de Julho de cada ano. As festas daquela época tinham um funcionamento diferente. Separava-se em equipe de pessoas da região para coordenar a festa.
O nome do Tio era Mario Fernandes. Perguntam o que era essa bandeira.Ele responde que a bandeira tinha o retrato do santo e dois meses antes da festa avisava-se sobre a festa e S. José tocava o tambor.Quando chegava nas casas fazia uma saudação. Rodava por toda a região. A divulgação da festa durava semanas, não parava, somente na véspera da festa. Liliane pergunta para que era a festa. Ele reponde que a festa era para Santo Inácio. Matheus pergunta que tipo de música tocava na festa. S. José diz que eram dois instrumentos que seguiam a bandeira: O tambor e sanfona, que na época era chamada de cabeça de gato. E quando se chegava às casas fazia o ritual: pedia-se licença e entravam e então o Tio cantava um ou dois versos, a sanfona e o surdo faziam o acompanhamento e, depois, despedia-se e iam pra outro lugar. Liliane pergunta se S. José lembra do verso.Ele responde que não. Matheus pergunta quem tocava a sanfona. Ele reponde que era o pai ou um dos irmão mais velhos.Matheus pergunta se a sanfona era do pai de S. José. Ele responde que sim. O pai dele era um dos sanfoneiros da Cidade.
S. José conta sobre uma Tia já falecida chamava-se Mereciana, conhecida como Xana. Fala do desinteresse da Globo pela região. Falou que essa Tia já foi entrevistada pela Globo. Fala que ela deveria ter memória de algo importante que aconteceu. A tia foi feitora de escravos na Fazenda campos Novos Ele num sabe a data disso Ela deveria saber as origens dos negros de Campos Novos.
Sr. José diz que a avó por parte de pai, sempre morou na Fazenda. Matheus pergunta se avó contava histórias. O entrevistado responde que ela contava muitos casos. A avó dele era da mesma idade da velha Xana e ambas eram primas. Liliane pergunta se S. José trabalhava na Fazenda. Ele responde que sim, junto com sua família.
S. José conta que onde os pais moravam não podia plantar o que quisesse.
Fala de arrendamento e das dividas. Os fazendeiros cobravam as dividas das famílias negras.
Antonio Castelo era o dono da fazenda, segundo S. José. Tinha 36 famílias nesta época (infância de S. José) Famílias negras, não existiam brancos. Naquela época já havia as influências dos coronéis e as famílias tinham que aceitar as imposições.
S. José descreve que os claros-morenos são derivados dos negros, porque houve a mestiçagem. S. José fala que a origem dessas famílias é africana e reafirma que a Tia era chefe de escravos. S. José afirma a lei dos quilombolas e o não pagamento da terra. Critica o INCRA. S. José afirma que a Princesa Isabel deve ter assinado um outro documento além da Lei áurea que garante terras para os negros.


Estas narrativas fazem parte do documentário:

Jongos, Calangos e Folias. Música Negra, Memória e Poesia é um documentário realizado pela Universidade Federal Fluminense, através do Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI/UFF) e do Núcleo de Pesquisas em História Cultural (NUPEHC/UFF), com o apoio do Edital Petrobras Cultura/2005. O filme coloca em diálogo, através de jongos, calangos e folias de reis, a memória e a história da última geração de africanos, chegada ao Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX. Dá especial atenção à poesia presente nestas manifestações que são praticadas ainda hoje, no Rio de Janeiro, por muitos dos descendentes daqueles últimos escravos.

Ficha Técnica

Jongos, Calangos e Folias. Música Negra, memória e poesia. Duração:45min. Com legendas em português. Direção Geral: Hebe Mattos e Martha Abreu; Fotografia: Guilherme Fernández; Edição: Isabel Castro; Som Direto: Helio Leite; Coordenação de Produção: Martha Nóbrega; Coordenação de Pesquisa: Carolina Vianna, Carlos Eduardo Costa, Thiago Campos Pessoa; Pesquisadores: Camila Marques, Camila Mendonça, Edmilson Santos, Eric Brasil, Gilciano Menezes, Liliane Brito, Luana Oliveira, Luciana Leonardo, Matheus Serva Pereira, Rejane Becker; Coordenação de Multimídia: Ana Paula Serrano; Programação Visual: André Castro; Consultores: Ana Lugão Rios, Antonio Carlos Gomes, Mathias Assunção, Mônica Leme, Robert Slanes; Produção Executiva: JLM Prod


terça-feira, 23 de agosto de 2011

1° Sabor Solidário agrada e deve ser fixado ao Calendário de Eventos de Cabo Frio

A Fazenda Campos Novos sediou, na última sexta-feira, dia 19 de agosto, o 1° Sabor Solidário. O evento, realizado pela Prefeitura de Cabo Frio, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, apresentou mais de 30 tipos de comidas diferentes feitos com os produtos do projeto Compra Solidária.

Dentre os pratos fornecidos pelos produtores estavam os mais comuns como escondidinho de carne seca, galinha com aipim, batata doce gratinada, creme de cenoura com folha de talos, além dos inusitados sucos de aipim, de abacaxi com limão e couve, de maracujá com couve e os pães de aipim, inhame, beterraba.

De acordo com o secretário da pasta, Carlos Roberto Nogueira, o evento foi um sucesso e a intenção é inseri-lo no calendário festivo da cidade.

- Os sabores foram surpreendentes. Eu provei um pouco de cada comida e todos me agradaram, mas a fanta caseira, feita de limonada, cenoura e casca de laranja, foi uma grata surpresa. Eu pensei que essa mistura não fosse dar certo, mas é uma delícia. Essas descobertas precisam ser divididas com toda a população. O Sabor Solidário merece crescer. Vamos levar nossa proposta para a Coordenadoria de Eventos e estudar a melhor maneira de torná-lo uma atração da cidade – afirmou ele.

Na ocasião, estiveram presentes o Chefe de Gabinete de Cabo Frio, Alfredo Gonçalves, representando o Prefeito Marcos da Rocha Mendes; representantes das Secretarias de Educação dos municípios de Cabo Frio, Búzios e São Pedro da Aldeia; o Secretário de Habitação, Serviços Públicos, Fiscalização e Postura de Cabo Frio, Eduardo Leal; a Secretária de Meio Ambiente e Pesca de Búzios, Adriana Miguel Saad; além dos representantes das escolas municipais de Cabo Frio (público-alvo deste evento); e dos produtores e consumidores do projeto Compra Solidária.

Durante o Sabor Solidário, Rafael Batista Ramos, do departamento de nutrição da Secretaria de Educação de Cabo Frio ministrou uma palestra sobre o aproveitamento e a qualidade dos alimentos produzidos pelo Compra Solidária que são produzidos sem agrotóxicos.




Carolina Rocha

Secretaria de Comunicação

terça-feira, 21 de junho de 2011

Cabo Frio apresenta seu projeto para o Geopark

No dia de ontem (20 de junho) o Município de Cabo Frio apresentou sua proposta para integrar ao Georpark Costões e Lagunas, projeto que envolve 15 municípios da Costa do Sol. A apresentação foi realizada no auditório da Câmara Municipal às 10h da manhã e contou com representações da sociedade civil e setores do poder público. O objetivo era divulgar o Projeto Geopark Costões e Lagunas e também demonstrar como o município será inserido no mesmo.

Para falar do sobre o Geopark, a geóloga e co-autora do projeto, Kátia Mansur (UFRJ), apresentou em sua palestra informações ricamente esclarecedoras aos presentes. Sobre a inserção de Cabo Frio, o pesquisador e historiador da Fazenda Campos Novos, Jonatas Carvalho, fez uma demonstração sobre as áreas de Cabo Frio (sítios de interesse, científico, histórico, cultural, turístico e educacional) que farão parte do roteiro do Geopark Costões e Lagunas.

A rede global de Geoparks já conta com 77 unidades espalhadas pelo mundo, sendo 42 na Europa, 24 China , 4 no Japão, 1 na Austrália, Brasil, Canadá, Irã, Malásia, Republica da Coréia e Vietnã. No Brasil o Geopark do Araripe (Ceará) já existe desde 2006. Pela dimensão e diversidade do seu território, espera-se que se consolide uma grande rede de Geoparks no Brasil.

Os municípios mapeados para formar o Geopark Costões e Lagunas são: São João da Barra, Campos, Quissamã, Carapebus, Macaé, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, São Pedro da Aldeia, Iguaba, Araruama, Saquarema e Maricá.

O geopark Costões e Lagunas poderá ser um dos mais diversificados do mundo, devido a riqueza ambiental da região, a área conta só no aspecto natural, com Dunas, praias, ilhas, rochas de mais de 2 bilhões de anos, Lagunas e Lagoas, mares, morros, parques naturais, faróis, sem contar os inúmeros patrimônios materiais e imateriais, monumentos históricos, culturais e naturais. Dentre os sítios de interesse para o Geopark definido pela equipe técnica de Cabo Frio estão: as praias, as dunas, o centro histórico, monumentos como marco de São Bento e pelourinho, os morros do arpoador, telégrafo, as igrejas históricas, sambaquis, além de nossa cultura tradicional, tais como nossos quilombos, ( veja lista completa a seguir).

O projeto deverá ser encaminhado em outubro para apreciação da UNESCO, espera-se que com a chancela da entidade seja possível fomentar o turismo com educação para o desenvolvimento sustentável na Região litorânea fluminense.

Jonatas.